Marcus e Marcia Galvão

Ai, Terra do Sol! Hoje o inquieto pensador foi surpreendido diante de um enorme pinheiro feito de rendas bordadas em pleno coração de Fortaleza: a Praça do Ferreira. Pensou nas árvores enfeitadas em frente as casas e no “alvoroço” de gente correndo de um lado para o outro nas ruas do centro. Tudo em volta se torna símbolo da data mais esperada do ano... o Natal! Para uma pimpolha romântica, o dia do seu casamento seria a data mais esperada, mas o Natal é melhor porque se repete todo ano! E o casamento pode entrar em crise um dia, mas o Natal é só alegria! Ou a data do seu aniversário seja a mais esperada do ano, mas o Natal é melhor porque ele não lembra a ninguém que está ficando mais velho! Ah, mas o mundo gosta de festa! E o Natal tem uma peculiaridade: é uma festa de aniversário de outra pessoa, mas você é quem ganha o presente! Só mesmo sendo o Natal!

Mundo estranho esse... o Natal que hoje é Cristão um dia já foi pagão! Os babilônios, há milênios, já inventavam de fazer festa só para receber presentes. Os antigos romanos comemoravam uma festa ao deus Saturno – a Satúrnia – em que se trocavam presentes. Algumas celebrações pagãs dedicadas ao sol e o solstício do inverno – a noite mais longa de dezembro que anunciava que teria mais sol para todos - eram realizadas em um período do ano equivalente a dezembro. Certa vez, um líder romano que dizia que era chefe da igreja e representante de Deus na terra inventou de dizer que o dia 25 de dezembro foi o dia em que o Cristo nasceu, 354 anos depois de seu nascimento. Porém, o tal chefe religioso esqueceu de dizer que o nascimento de Cristo aconteceu na época do decreto de César Augusto para que houvesse um censo naquele império e de modo algum foi em dezembro!

Ora, o Natal deveria ser, mas não é! Deveria ser um dia para pensar como nós poderíamos nunca machucar ninguém, como nos reconciliar com alguém, como amar sem ver a quem, sem esperar nenhum vintém... como fazer o bem, mesmo que o mundo nos tenha desdém! Geralmente, os indivíduos esperam o Natal para fazer promessas: ah, depois do Natal prometo que irei mudar! Santa Claus! O sujeito tem que esperar o ano inteiro para pensar em ser melhor! Isso tem que ser feito todo dia! Ao dormir, avaliar o que fizemos e, ao acordar, reinventar o que seremos! Seria tão difícil assim? Ah, mas para quê pensar em amor, ou mudança, ou beneficência se hoje é dia de ganhar presentes? Deram-nos até um décimo terceiro salário para que possamos gastar desvairadamente naquela loja de “brinquedos”! Não sei o que Nicolau, aquele caridoso grego arcebispo de Mira, acharia disso tudo, mas o Capitalismo adora e agradece aos consumidores histéricos de plantão!

Reunir a família em volta da mesa para encher a barriga de peru e rabanada! Enquanto é saciada a glutonaria compulsiva os “festeiros natalinos” esquecem que todo dia é dia de sentar à mesa, agradecer pelo que se tem e olhar cada um no olho do outro e mostrar o quanto amamos cada um, a cada fiasco de momento! Ai, Terra do Sol! Eu quero o Natal de Cristo que eu tenho que festejar todo dia, não tanto pela data do seu nascimento, porém pelo dia em que escolheu vencer sua morte para fazer com que nosso futuro seja feito de vida! Aquele que revelou que devemos amar incondicionalmente, sem desejar presente, qualquer criatura, até um inimigo! Aquele que ensinou a cooperar e caminhar com o outro sem invejar sua alegria, nem murmurar sua tristeza, só escutá-lo e acolhê-lo! Esse é o Natal que eu quero... eu não quero o tal Natal de presentes e de comida feito pelo Papai Noel, aquele sujeito neurótico e materialista, encomendado pela Coca – Cola, só para fazer um comercial de 1931! Não! Ah, e faça um favor ao pensador e a você mesmo: dê o melhor presente que uma pessoa poderia receber, o Amor!

Marcus e Marcia Galvão

Hoje o psicólogo acordou de corpo dócil, regrado e pensando nas regras! Quando Adão herdou o Éden havia apenas uma regra: “de toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. O recém-criado Adão sabia que para a transgressão dessa regra existia uma punição, mas as oportunidades apresentadas pela serpente pareciam mais sedutoras que sua própria vida. Adão passou por cima da regra e pagou um preço por seu oportunismo egoísta, pois já possuía o Éden, mas queria mais!

Hoje, em nossa sociedade “modelada”, as milhares de regras, tanto escritas quanto consensuais, nos abordam levando-nos a um tipo de comportamento socialmente desejado. Tudo bem, até Foucault achava que disciplina não era de um todo ruim! Contudo, diante da sensação de não ser punido, em nossa Fortaleza das transgressões, os sujeitos prezam pelo comportamento individualmente desejado: faço o que quero e para o inferno os outros! Há uns dois meses, houve um acidente no início da Av. Antônio Sales. O perito do DETRAN chegou, observou a posição dos veículos, ouviu a versão de cada condutor e devolveu com a seguinte pergunta: - “vocês sabem para que serve a sinaleira, o pisca do carro?”. Diante das faces duvidosas, ele mesmo respondeu: - “é só para reprovar no teste de rua do DETRAN. Sim, porque ninguém atende à sinaleira, aí quem ligou o pisca, ou para direita, ou para esquerda, muda de faixa, o cara do lado não atende o pedido e acontece a interceptação de trajetória, um bate no outro”.

Por esses dias o psicólogo e a jornalista foram ao faraônico Iguatemi. Entraram num Mega Super Extra Mercantil que em seus comerciais repete duas vezes que é o mais barato, que é para o comprador esquecer que esse é o mais caro. Bem, a jornalista prestou atenção numa fila enorme que se direcionava ao banheiro feminino dessa loja. Aproveitando para ir lavar as mãos – na verdade, sua curiosidade jornalística supera qualquer coisa - ela foi saber a causa de tamanho congestionamento fisiológico. Quem sabe teria até senha para ir ao banheiro? Chegando lá nossa repórter viu que, apesar do mercantil querer ser grandioso, o seu banheiro era minúsculo mesmo! De repente, neste palco, surge uma cena inusitada, como um furo de reportagem!

Uma dondoca de nariz empinado trazia sua filhinha para dar um “alívio”, porém, diante da fila, não querendo esperar sua vez, passou na frente de todos, tirou as calças da menina, sentou a criança na pia de lavar mãos e chuáááá! Botou a criança para fazer “pipi” na pia de lavar mãos! Depois, como se não bastasse, tomou o papel de enxugar mãos, tirou o excesso da menina, fez uma bolinha de papel e, apelando para o seu lado Hortência de ser, joga em direção ao cesto de lixo, errando claro e deixando o papel no chão. Tudo isso às vistas dos “filantes” e da expectativa de uma funcionária da limpeza que, ao ver a burguesa sair, logo desabafou: - “quer ser tão chique e faz uma coisa dessas. Mal educada... o pior é que a gente não pode nem dizer nada, que corre o risco até de perder o emprego”. A dondoca poderia ter explicado que a menininha estava apertada, ter pedido licença... mas, não!

Mas, não basta burlar as regras formais, o povo tem que transgredir também as
consensuais, os valores! Ah, mas transgredir já seria natural do homem e uma vez o Dr. Freud pensou no transgressor escondido em cada alma humana, já que, “inocente” era aquele que ainda não havia sido pego em flagrante. O psicólogo se lembrou do Professor de Escolar que falava num tal Jean Piaget, biólogo, que muitos pensavam que era psicólogo... ele dizia em seu livro “ O Juízo Moral na Criança” que regrar-se é um problema que vem do berço. Em seus primeiros passos aqui na Terra, a criança segue a regra porque foi o adulto que disse, os grandalhões sabem tudo! Ela pensa que a autoridade vem do adulto e, como ela quer ser aceita pelos marmanjos, tem que ser agradável - mas ela quer mesmo é enfiar o dedo na tomada e urinar no tapete persa!

Nesse período o “comedorzinho de rapadura” vai achar que a punição é do tamanho do estrago que ele fez... “olho por olho”. O tempo vai passar e o menininho vai começar a entender que cooperar é bom e ajuda na sobrevivência. Então, com a chegada do raciocínio lógico e a noção de reversibilidade, se descobre que a regra possui construção, não é nada superior, como diziam os adultos e ainda pode ser mudada. Aí que vêm os infindáveis “mas, por que disso?”, “por que daquilo?”, que irão deixar os pais bem calminhos. Mas... se os pais, primeiros seres sociáveis conhecidos pela criança, responsáveis por sua “sustentabilidade” até os 18 aninhos, não ensinarem que respeitar leis e ter bons modos também ajuda a viver bem, quem as ensinará?
Marcus e Marcia Galvão

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A curta animação acima fez parte da avaliação final de inglês da nossa jornalista blogueira que de forma subjetiva mostra como a solidão e o medo podem compor uma alucinação germinada naquilo que estamos tendenciosos a perceber... o tema da apresentação era um conto de terror e a Usina resolveu compartilhar esse momento com os amigos blogosféricos. Divirtam-se!

Marcus e Marcia Galvão
Os Antigos Egípcios tinham no Rio Nilo um grande provedor: em suas cheias, que ocorrem entre junho e setembro, o Povo Hamítico sustentava sua agricultura através de potentes mecanismos de irrigação sem nenhum entrave, com construções que direcionavam o transbordo de água e até mediam o nível do rio. E olhem que nessa época o Rio Nilo era bem mais largo! Os Fenícios tinham no mar um facilitador do seu comércio, que era bem desenvolvido, já que o solo desta área – atual Líbano – era impróprio para agricultura. Os habitantes da antiga Jerusalém consideravam os montes em volta da cidade uma proteção contra o inimigo! Os índios Astecas consideravam o Sol como divino e erguiam templos e sacrificavam vidas para que pudessem tê-lo a cada dia! Os índios Tupi-guaranis tiravam seu sustento da Mata Atlântica, ainda intacta até a chegada do homem branco. As chuvas eram sinal de prosperidade para os Hebreus, que também sabiam lidar muito bem com as águas do Rio Jordão.
Bem, caro leitor, parece que as civilizações antigas detinham um pacto de paz com a Mãe Natureza e sobreviviam dela sem a incomodar, numa sublime relação simbiótica, porém o homem moderno cismou de querer encrenca com a Dona Natura, parasitando-a, degradando-a, passando por cima de suas leis, enfim, impondo sua bandeira de predador! Mas, a Grande Mãe não leva desaforo p’ra casa e resolveu dar umas broncas neste Homo que se acha “sapiens”! O homem agora tem medo da Mãe Natureza! Os rios, antigos provedores de água para agricultura são os atuais causadores de enchentes. O mar, antes facilitador do comércio e das grandes expedições, hoje, é o vilão que vai destruir cidades com seus “Tsunamis” depois que as geleiras polares derreterem. O sol, tão divinizado, agora é o causador do câncer de pele! E o homem, com sua tecnologia e ciência tão desenvolvidos, porém tão atrasado socialmente, não pode dar conta de enfrentar as leis naturais de seu próprio planeta!
E apareceu na televisão! Um sujeito especialista explicou que o Efeito Estufa que assola nossa casa vem aumentando a quantidade de chuvas no cerco das cidades catarinenses. Daí, a chuva que desce morro abaixo leva sedimentos e muita água! Antigamente, quando só existia ali a natureza, essas tais águas, que não eram tantas, encontravam o rio e o rio se encarregava de levar até o mar. Hoje, as águas encontram um asfalto no meio do caminho! E uma cidade! Que não foi planejada para tanta chuva! E o desmatamento? A floresta protege o solo e evita que as águas levem uma enorme quantidade de areia para os rios empobrecendo o solo e diminuindo os leitos desses rios! Santa Catarina foi o estado campeão em destruição da Mata Atlântica – segundo o
Blog do Planeta! E sofre Itajaí! E sofre Blumenau! E morre o povo catarinense!
E o Estado? Ah, o Estado... os administradores públicos jogaram a culpa na chuva e negaram que poderiam prever a catástrofe, porém sabiam que desde 1983 aconteciam essas coisas, no entanto, como sempre, não deram nenhum cartaz para o problema e não investiram nada em soluções preventivas! Os povos antigos sabiam como aproveitar as estruturas naturalmente disponíveis para edificar suas cidades, assim, assinavam um contrato de parceria com o meio ambiente. E hoje? Com tanta engenharia avançada, as cidades não passam de corpos estranhos e invasoras do ambiente! Desorganizadas, elas poluem rios e matam as matas, trocam o azul do ar pelo cinza das combustões! Se os políticos nordestinos tiravam proveito das secas, então que proveito há nas catástrofes catarinenses, se havia como preveni-las? Quem é o culpado: Estado, homem ou Natureza?