20080831
7 Pensadores

TESTEMUNHA OCULAR - Parte II

domingo, agosto 31, 2008

O psicólogo não conseguia dormir naquela noite de lua cheia. Ele sabia que não era pago para pensar, mas a cabeça dele não parava e ainda mais naquela noite! Não havia quem explicasse porque “cargas d’água” ele tinha que lembrar e relembrar como algumas criaturas da noite conseguiam “sugar” suas vítimas de forma tão eficientemente violenta! Mas, tomar o que é do outro, na “marra,” não é característica apenas de nossos contemporâneos meliantes. Sabe-se dos povos antigos que invadiam as terras-mãe dos outros, chacinavam a todos para ficar com os “despojos” e, também, com suas terras. E não foi assim com a nossa América Espanhola? E o Brasil, desde que se descobriu mais luso que tupi, não foi sempre uma história de surrupiar e tomar a coisa alheia? E os meliantes com suas armas de fogo, sombras da noite, não teriam herdado essa cultura de violentar o mais fraco? E o psicólogo se esforçou para imaginar estar no lugar daquele outro mais fraco, a vítima.
 

Quase enlouqueceu de tanto pensar. Além de suportarmos ser vítimas das criaturas da noite, temos que agüentar as criaturas do dia, que igualmente nos violentam e tomam o que é nosso, porém de um modo subliminar. Esses seres do dia andam engravatados, eloqüentes e muitos são até venerados em nossa sociedade, contudo, escondem segredos terríveis, gestos que as criaturas da noite fazem questão de mostrar. O psicólogo se lembrou que alguns desses segredos são descobertos como o caso do juiz de Sobral que matou o segurança do supermercado. Ele queria de qualquer jeito entrar no “mercantil” depois que as portas estavam fechadas só porque era juiz. E o segurança não deixou... então, o juiz sacou sua arma de fogo e matou o segurança. A criatura judiciária não sabia que estava sendo filmada, logo pôs para fora os seus maus segredos, roubando o direito à vida, pensando que depois poderia negá-los. Faz alguns dias o juiz também morreu... num infarto fulminante.
 

Os pensamentos não paravam de girar em sua mente. Lembrou que, ultimamente, o governo municipal fortalezense inventou de surrupiar os seus servidores. Como assim? De uns meses p’ra cá, a Dona Loira teve a maliciosa idéia de entrar no Judiciário com uma Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) contra o direito de isonomia salarial desses servidores municipais. Bem, muitos desses direitos foram adquiridos desde 1985! E aí, ela quer surrupiar esses direitos? Não são os direitos adquiridos preceitos fundamentais da Constituição? E quem entrou agora na Justiça para ter direito à isonomia também deveria levar “peia”! Porém, o relator Ministro que recebeu esse pedido da “Loira” achou a idéia descabida, infundada a ação e arquivou o desejo da chefona! Mas, ela é teimosa e resolveu recorrer clamando por uma cautelar que suspendesse todo direito de isonomia do servidor! Ela quer porque quer abusar! Agora, me respondam: qual a diferença do Estado para o juiz e destes para as criaturas da noite?
 

Qual o motor que sustenta tamanho desejo de tomar o que é do outro? Seria mesmo a inveja? A inveja é algo que nos acompanha desde os primórdios de nossa infância. O pensador Freud vai defender que, durante a fase do Complexo de Édipo, o menino teria inveja do pai por desejar a mãe só para si, exclusivamente. A menina, além de ter inveja da mãe, teria inveja do menino porque ele possui “mangueirinha” e ela não. Daí, a menina é aterrorizada pelo funesto Complexo de Castração! Na verdade, tanto o menino quanto a menina, sentem-se inferiores por não possuírem o poder ou a coisa que o outro tem e que os faz cair num obscuro sentimento de falta! Isso dá coceira, dor no “quengo” e vontade de tomar as coisas dos outros! Certa vez, a professora de Sociologia do psicólogo disse que, hoje, só se fica rico roubando. O patrão que rouba o empregado quando não lhe paga o devido salário, o mercador que rouba o consumidor quando superfatura sua mercadoria ou cobra juros altos, o Estado que rouba o contribuinte quando não lhe devolve o que é direito. Enfim, graças a Deus, há coisas que os ladrões não podem tomar: a honestidade p’ra lutar, um sono justo p’ra sonhar e a capacidade de pensar!

7 Pensadores:

Anônimo disse...

Tio, a muié mandou pro STF por que lá a jurisprudência é favoravel a ela. Ela pediu também pra suspender os direitos de quem já recebe e parar as ações na justiça até que a causa seja julgada. Os servidores sabem o que tem que fazer...

Éverton Vidal disse...

Li o texto e gostei. Mas só depois de ter lido todo é que percebi que ele era a segunda parte do primeiro que está aí embaixo rs.

Bacana. Vou voltar pra ler o primeiro depois rs.

Forte abraço. Inté!

Jornalista Azarado disse...

Que abuso das "loira". Por que não reduzirm o salário dela e de todos os "engravatados"?

E sou totalmente contrário ao último pensamento, de que só se enriquece roubando. Creio que podemos atingir o sucesso de modo honesto. O caminho é mais árduo, afinal, são tantos que vendem a mãe para melhorar o salário... Mas, como você falou, a honestidade não há como roubar, nem minha consicência e minha honra!!

belo texto!

abços!

Juliana Petroni disse...

Enquanto isso os nossos políticos continuam ganhando cada vez mais, seus familiares com cargos de confiança e sem qualificação. Não devemos nos calar diante de tanta impunidade!
Abrç

Juliana Petroni disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Su disse...

Esses políticos... essa nossa justiça!!!!
Aii mópai!!
Beijooos qridoos, saudades!!

Thiago disse...

Adorei seu blog.

Visita meu blog também

http://thiagocbpompeu.blogspot.com/

Cheio de artistas.

Abraços,

Thiago Pompeu

 
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